Somos pobres… pobres e assimétricos!


55385_357550611001956_142542598_oNós, brasileiros, ganhamos mal. Isso é um fato! Nosso salário mínimo é patético e ingrato. Quando conto aos tugas, eles riem (e olha que o salário mínimo de Portugal é o menor da Zona do Euro: 485,00€ por mês [R$ 1.280,40 na cotação de hoje]), quando lembro, na verdade, eu choro. Mas, enfim… a comparação que eu vou fazer é com base no salário MÉDIO do brasileiro e do português (respectivamente, R$1.650,30 e R$2.696,96 [1.014€]).

Logo de cara, afirmo seguramente que a miséria da classe média brasileira não está relacionada ao salário, digamos, mais friorento. O que tenho observado nesse período que estou por aqui é que, basicamente, são dois fatores que permitem que a classe social predominante no país veja mais frutos do seu dinheiro mensal: saúde e educação. Explico no parágrafo abaixo porque estou treinando a simetria estética textual neste ensaio. Paciência!

Atualmente, os nossos pais querem que os seus filhos não passem pela pobreza que a maioria deles “desfrutou” no Brasil do século passado. Com uma renda mais “favorável”, esses pais querem dar uma educação mais “elegante” aos seus, mas onde eles a encontram? Na deselegância vergonhosa das escolas privadas – essas abocanham uns mil, mil e tal Reais dos coitados. Aqui, a educação pública é confiável e vitoriosa!

Ponto para os Euros a mais na carteira. Dá para poupar e comprar um carro daqui uns poucos meses. Os mesmos pais brasileiros precisaram do SUS e ficaram numa fila gigantesca, foram mal-atendidos ou viram algum familiar ser velado pelo descaso público… eles não querem isso para a sua família! Adivinha onde vão buscar essa segurança? Lá… nos abusivos planos de saúde… com uns “quinhetinhos” mensais você consegue, com sorte, contratar um serviço mediano.

Aqui, ir para o hospital é prazeroso (exagero, claro)… o estado garante saúde a todos! Com esse dinheiro “economizado” mensalmente dá para planejar a viagem ao calor tropical, em janeiro. Poderíamos ter um salário médio de R$ 5 mil que, ainda assim, os cidadãos europeus seriam mais ricos. Aí você vai fazer compras e, no lugar de levar um pouco de carne para casa, você acaba deixando um pedaço do seu fígado nos caixas sempre recheados dos supermercados.

Aqui, com R$1 compro uma barra de chocolate de 100 gramas. Diga-me… quanto é uma barrinha de Batom (de 76gr) aí no Brasil mesmo? Agora vamos comprar roupas… entra numa loja “chumbrega” e separa uma camisa estampada, calça desbotadas e um tênis (com chulé de brinde)… na hora de pagar (estimo que mais de R$200) é que se entende a moda das roupas de publicidade de políticos e eventos, tendência desfilada refinadamente em nossas ruas esburacadas. Três camisetas, calça social, calça Jeans, camisa social, par de tênis e cardigã… roupas com boa aparência e qualidade aceitável… deixei 50 euritos (uns R$130) na loja… quase supliquei para a “caixa” me cobrar um pouquinho mais de tão banal que foi a conta.

Na comida, na roupa, nos passeios e, principalmente, na educação e saúde… tudo o que não se gasta a mais é revertido em bens que nós não somos acostumados a ter. Aqui é comum o cidadão ter dois ou três carros (que, por sinal, são mais baratos do que no Brasil, para variar), mobília e acabamento decente em suas casas, aparelhos eletrônicos à vontade (mesmo com o aumento de impostos gerado pela crise, os produtos continuam mais em conta do que no Brasil), viagens familiares… coisas que são “vaidades” da classe MÉDIA ALTA brasileira e que aqui são acessíveis à maioria da população. Ganhamos mal, mas esse não é o pior dos males. O problema é que ganhamos mal e ainda pagamos (e muito) para que os nossos descendentes tenham condições de SOBREVIVER no futuro. Pagamos para continuar na miséria… uma miséria moral que nós e os nossos administradores devem carregar nas suas costas e envergonharem-se constantemente dela. Desde já, peço desculpas por não manter a régua à risca neste relato (como prometi anteriormente)… ao progredir no assunto, fui incapaz de conservar a simetria estética do meu texto lidando com um assunto tão desarmonioso como este. Até a próxima!

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2 comentários em “Somos pobres… pobres e assimétricos!

  1. Amigo, como sempre seu sarcasmo me impressiona. Seu texto, por outro lado, evolui cada dia mais. Do fundo do coração (e vc sabe como sou exigente) tá excelente!

  2. A economia do país vai bem para o governo, mas parece que para os brasileiros não. A educação – ah a educação – essa vai de mal a pior, todos já sabem disso. É covardia comparar o “país do carnaval” com seu explorador, opa, digo “colonizador”, europeu. Pois bem, então qual seria a solução para o Brasil do superfaturamento e dos erros gramaticais e ortográficos?
    Sabe qual é o maior problema, a simetria estrangeira nos atrai, porém essa ferida a sociedade não vê (e não toca).

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